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evangélica Assembléia de Deus de Passo Fundo
(RS), lutaram com todas as forças e, com a ajuda do Senhor, venceram
gloriosamente: foram inocentados pela Justiça e a obra, antes
“perseguida”, voltou a circular com mais força, porque o processo a
que foi submetida acabou servindo de marketing para despertar
o interesse de muitos leitores. Nesta edição, Defesa da Fé
fez questão de entrevistar esse abençoado casal, concedendo-lhe a
oportunidade de falar de sua história, conversão e vitória sobre
seus opositores!
Defesa da Fé –
Antes de envolver-se com o gnosticismo
você foi cristão?
Gilson Deferrari – Sim, fui cristão
por vários anos. Mas no período em que me envolvi com o gnosticismo
já estava afastado, há três, do cristianismo. Eliane, até os doze
anos de idade, tinha freqüentado uma denominação evangélica.
Defesa da Fé –
Então, seu afastamento de Jesus foi uma
atitude de revolta?
Gilson Deferrari – Perfeitamente. Eu
estava revoltado com Deus. Algumas circunstâncias pessoais me
levaram a afastar-me dele. Cheguei a ponto de orar dizendo: “Não
quero mais servi-lo! Esperava que ‘você’ não me deixasse chegar
nesta situação. A partir de hoje, não serei mais crente”. Vivia em
uma situação extrema!
Defesa da Fé – Até chegar ao gnosticismo, você passou pela
quimbanda?
Gilson Deferrari – É incrível. Mesmo
tendo sido cristão, passei a freqüentava sessões da quimbanda:
tomava passes, consultava os demônios, etc., mas nunca quis passar
pelo batismo de sangue. A quimbanda se diferencia da umbanda pela
predominância de sangue. Suas cores predominantes são o vermelho e o
preto. Lá, costumam afirmar: “Deus é bom, mas o diabo não é mau”.
Participei de tudo isso.
Defesa da Fé – Um ex-cristão na quimbanda é um fato inédito, não
é?
Gilson Deferrari – Diria que não.
Infelizmente, a gente encontra ex-cristãos nestes lugares e em
várias outras seitas, principalmente naquelas que enquadramos como
“espiritismo científico” ou “seitas filosóficas”. Vale lembrar aqui
o que Jesus disse em Lucas 11.24-26 e 2 Pedro 2.20-22. O
que significa que um ex-cristão faz coisas muito piores do que
aquele que nunca foi cristão.
Defesa da Fé
–
E quanto às acusações que recaem sobre essa
religião de sacrificar animais e até mesmo seres humanos, o que você
tem a dizer?
Gilson Deferrari – O sacrifício de
animais existe. É um ritual tão antigo na quimbanda que quase chega
a ser uma tradição. Presenciei isto. Quanto ao sacrifício de seres
humanos, um amigo meu da época me falou de sua experiência. Segundo
disse, chegou a realizar um sacrifício com criança. Mas eu,
particularmente, nunca presenciei nada parecido.
Defesa da Fé – E por que da quimbanda para o gnosticismo? Como se deu o
envolvimento do casal com esse movimento?
Gilson Deferrari – Quando conheci a
Eliane, ela seguia um movimento gnóstico. Então, me levou para lá.
Na verdade, tudo faz parte da busca do ser humano por algo superior.
Na época, eu havia abandonado o evangelho e ela já estava na fase
“B” Avançada no movimento que freqüentava e me levou para assistir
às palestras. A entrada para o movimento acontece por fases: “A”,
“B”, “B” Avançada e “C”. Apesar de ter sido cristão por doze anos,
ter sido obreiro e ter feito uma Escola Teológica, não tinha nenhum
conhecimento do gnosticismo.
Defesa da Fé
–
Como se deu seu retorno à fé
cristã e bíblica?
Gilson Deferrari – Foi durante uma
conferência gnóstica. Ao ouvir tudo que estava sendo ensinado sobre
regressão, várias existências e reencarnação, começaram a vir à tona
em minha mente textos bíblicos que contradiziam aquelas heresias.
Fiquei profundamente pensativo. O mesmo fato se repetiu em outras
ocasiões em que participava de estudos. Era o Espírito Santo
trabalhando em minha vida! Passei a sentir intenso desejo de orar e
ler a Bíblia novamente e, a partir daí, voltei aos caminhos do
Senhor.
Defesa da Fé – É verdade que, em 1998, seu livro autobiográfico,
A realidade do gnosticismo, foi alvo
de uma ação judicial movida pela direção dessa seita no Brasil?
Casal Deferrari – Sim. Tivemos nosso
livro cassado por conta de uma Ação Cautelar Inominada. Também
moveram um processo-crime contra nós, em que fomos acusados de
calúnia e difamação. O pastor João Oliveira, que prefaciou o livro,
também foi atingido. Moveram ainda mais um processo contra a Editora
Kurios, de nossa propriedade. Ao todo, enfrentamos três processos,
sendo dois cíveis e um criminal.
Defesa da Fé – O que exatamente motivou o movimento gnóstico a processar o
senhor e sua esposa?
Gilson Deferrari – Alegaram que se o
livro, escrito por um casal que saíra de dentro do movimento
gnóstico, viesse a circular, causaria grandes danos à seita, talvez
até o encerramento de seus trabalhos.
Defesa da Fé – Esse problema trouxe conseqüências ao seu ministério?
Casal Deferrari – Não, de forma
alguma. Na verdade, tal perseguição fez que o Brasil tomasse
conhecimento do nosso livro e recebêssemos apoio de vários lugares.
Também recebemos convites e ministramos em muitos lugares. A
cassação fortaleceu a nossa fé e nos aproximou ainda mais de Deus,
pois tínhamos certeza que Ele iria nos dar vitória. Nunca duvidamos
disso.
Defesa da Fé – O gnosticismo já rondava a Igreja primitiva. Vocês poderiam
falar quais são as estratégias dos gnósticos hoje?
Casal Deferrari – Não só rondava como
interferia na Igreja primitiva. Sua atuação concentrava-se nas
igrejas da Ásia Menor. João, Pedro, Paulo e Judas tiveram grandes
enfrentamentos filosóficos com os gnósticos, nos deixando um legado
de nove livros no Novo Testamento que, ao todo ou em partes, foram
escritos para combater a doutrina gnóstica. Depois, devido à grande
atuação dos cristãos nos 180 primeiros anos da Era Cristã, os
gnósticos se calaram por longos anos. Voltaram no século passado e
estão tendo grande atuação na implantação da Nova Ordem Mundial ou
Nova Era. Em 1998, quando lançamos nosso livro, eles estavam em
franca campanha de “evangelização” do Brasil, usando vários meios de
comunicação em massa. Hoje, estão mais cautelosos, não estão mais
abertos ao público, mas continuam atuando no Brasil
inteiro.
Defesa da Fé –
O gnosticismo possui obras básicas que
orientam seus seguidores e, ao mesmo tempo, sirvam de respaldo para
suas afirmações?
Eliane Deferrari - Freqüentei o
movimento gnóstico durante três anos, aproximadamente. Suas obras
bibliográficas, todas elas, são praticamente elaboradas pelo mestre
do movimento, Samuel Aun Weor, mentor e estudioso de um método
eclético com uma mescla de crenças e filosofias. O movimento possuía
uma biblioteca em suas sedes e a leitura dos livros era aberta ao
público, sob orientação dos instrutores. Atualmente, por causa do
livro que escrevemos, a literatura gnóstica passou a ser secreta,
aberta somente às fases mais avançadas.
Defesa da Fé – A Igreja primitiva defrontou-se com essas heresias. Como a
Igreja atual deve enfrentá-las?
Casal Deferrari – A Igreja deveria
estar preparada para cumprir o “Ide” de Jesus também entre os
seguidores de seitas. Mas vemos que a Igreja não está cumprindo o
“Ide” na proporção que deveria. Ainda há muitos que precisam ser
evangelizados. Existe, entre os seguidores de seitas, uma grande
deficiência nesse sentido, porque, geralmente, quem se preocupa em
evangelizar essas pessoas são os que já passaram por lá e se
converteram ao evangelho. A Igreja deveria se preparar e confrontar
os gnósticos, tal como fez a Igreja primitiva, ensinando a verdade
de Jesus Cristo para essas pessoas a fim de que sejam libertas
espiritualmente (Jo 8.32). Mas o que temos visto é uma grande
deficiência nesse aspecto e nos sentimos chamados por Deus para
ajudar as Igrejas nesta tarefa. Nos colocamos à disposição das
igrejas a fim de orientá-las nesta área.
Defesa da Fé – Quanto ao processo judicial do seu livro, parece-me que
acabou sendo arquivado e a obra liberada para livre circulação, não
é isso?
Casal Deferrari – Sim. O livro foi
liberado, por unanimidade, no Tribunal de Justiça do Estado do Rio
Grande do Sul, para circulação, e já está sendo comercializado em
livrarias e distribuído em vários lugares do país.
Defesa da Fé – Nesse processo não cabe uma apelação por parte do movimento?
Casal Deferrari – Sim, ainda podem
intentar um recurso em Brasília, mas sem efeito suspensivo, o que
não impede a circulação do livro.
Defesa da Fé – Quais são os seus planos, agora?
Casal Deferrari – Levar a nossa mensagem
ao mundo, ajudar as igrejas em seu preparo para evangelização dos
seguidores de seitas e transmitir a nossa experiência a todos
aqueles que, ainda nos dias de hoje, são perseguidos por propagarem
sua fé em Jesus Cristo. Já há alguns anos, Deus também nos chamou
para trabalhar com adolescentes e missões, e estamos preparando
novos livros nestas áreas. |